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domingo, 9 de novembro de 2014

O Fotógrafo Cego que "Vê" Através do Som: Pete Eckert


Swarovski Shoot para Jean Paul Gaultier

      Você que está aí se lamentando que não têm aquela objetiva bacanérrima, que está sem grana pra trocar sua câmera usada por uma top de linha, mesmo sabendo que a sua velhona ainda aguenta muitos clics, vive se queixando sempre que falta um equipamento x ou y, que anda sem criatividade… dinheiro e mais diversas coisas.
         Esse post é para você mesmo!

         O fotógrafo Pete Eckert pode ter absolutamente todos equipamentos do mundo, mas o essencial ele perdeu: a visão.

         Então vamos parar de mimimi vai… pfv… ok?

         Pete Eckert, que perdeu sua visão por contada de uma doença chamada retinose pigmentar. Só que ele não se vitimizou! Investiu no mundo fotográfico, foi atrás de aprender  vencendo as dificuldades – afinal, nosso mundo está mais adaptado para os que enxergam, e hoje realiza um trabalho lindíssimo e singular!

"É importante para mim  que as pessoas que enxergam pensem sobre a cegueira."

Mel

"Eu não levei a fotografia a sério até que fiquei totalmente cego. Estudei escultura e desenho industrial. Sempre fui uma pessoa visual e planejando estudar arquitetura na Universidade de Yale, mas depois comecei a perder minha visão. Um médico friamente me disse que eu tinha Retinose Pigmentar e saiu da sala sem mais comentários."

Túnel

"Eu tento transmitir ao mundo que os cegos vêem  graficamente. 
Pessoas com visão tendem a olhar para o que está na frente delas como se fosse uma pintura. 
Para os cegos, é mais tridimensional. Eles estão conscientes do que está ao seu redor, como estar debaixo d’água. 


Olhe para fora


Série Bus
       Michael Richards, amigo pessoal de Pete, convenceu-o a montar um "story board" mostrando alguns dos problemas que pessoas cegas têm ao usar o transporte público (ahhh meu amigo, vc não viu nada aqui no Brasil, vixe...). 
       As empresas de ônibus são obrigados pelo Americans with Disabilities Act de parar assim que dão o sinal (como qualquer mortal que pega um ônibus e quer descer em seu ponto!), embora muitos não o fazem, ou fazem esta cara de c* como vemos no segundo frame da Story board. 
       Estes nove painéis contam uma história sobre o incômodo. A peça acabada tem todas as nove imagens com o texto associado (confira a íntegra aqui ou clique na imagem para ampliar). 
      "Foi uma sessão difícil, porém mostra a dificuldade que muitas pessoas com deficiência e idosos enfrentam." afirma Pete.



Hugh Hefner (adoro este homem!!) foi o pioneiro em 1970 traduzir a revista Playboy em braille, permitindo o acesso da comunidade cega a revista.
 Peter Eckert e Bruce Hall foram os únicos fotógrafos cegos a fotografarem para a Playboy (2010), não bastando tamanha honra, contratualmente a Playboy foi extremamente gentil: Todas as imagens são de Peter para venda, ou seja, ele detém todos os direitos autorais!


"Eu não consigo ver o rosto das pessoas, por isso não tento tirar retratos tradicionais."


Hiromi Oshima - a 1º Playmate Japonesa!
 Angel: Revista Playboy

Hiromi Oshima - a 1º Playmate Japonesa! 
Menina Cega: Revista Playboy

Hiromi Oshima - a 1º Playmate Japonesa! 
 Hollywood Blvd: Revista Playboy

Hiromi Oshima - a 1º Playmate Japonesa! 
 Deusa: Revista Playboy

"Eu sou uma pessoa visual. Eu simplesmente não consigo ver. "

Struct

Dia dos mortos
Monique l
Monique ll 
Monique lll


 Eu não vejo meu próprio rosto ha 20 anos. 
Se eu tiver a minha visão de volta e olhar no espelho, eu estaria olhando para o meu avô.”

Track Man


"Eu sou apenas um turista no mundo visualizado."


Night Dream

Eu não sou limitado pelos pressupostos da visão ou seus limites assumidos. A câmera é outro meio de fazer arte para mim. Na verdade meus desenhos parecem com as minhas fotos, (pelo menos os que eu fiz quando enxergava). Há um fio comum que une toda a minha obra de arte.


Swarovski contratou Peter para fotografar o trabalho de seus designer de jóias para  ser apresentado em nada mais, nada menos que em Jewelry Summit iem Vienna.



Confiram a Galeria
Jean Paul Gaultier
Dori Csengeri














             



















                                                  Liz Palacios (2 imagens)

Camila Klein
Camila Klein
Camila Klein

Manish Arora
Gian Paolo Maria


" Pessoas cegas enfrentam uma porta de vidro. 
Podemos olhar para o local de trabalho mas não estamos autorizados a entrar (os cegos). 
Eu faço outra coisa:  deslizo fotos por baixo da porta do mundo dos cegos para ser visto à luz da visão. Vejo o meu trabalho em minha mente durante o ato de tirar a foto. Eu "vejo" cada cena de forma muito clara, usando o toque, som e memória.
Eu sou mais um artista conceitual do que um fotógrafo. 
Minhas influências vêm de minha memória do passado da arte e o que eu encontrar agora no mundo em geral. "






O mundo em que vivo é muito etéreo. É como se eu estivesse preso entre a realidade e a algum outro mundo. Em minhas fotos, você vai ver muitas vezes um efeito de raio-x que se parece com ossos. Isso é interessante, porque se relaciona com o meu senso fantasma: como um amputado que ainda se sente com um membro, eu posso ver a luz que vem dos ossos.



Catedral

"Eu prefiro velhas câmeras. Elas são maiores, para que eu possa escrever em Braille tudo sobre elas e em suas partes, clicando na posição. As câmeras digitais têm muitas vezes uma roda’ para alterar os modos, sem um começo ou um fim, então eu não posso dizer onde estou. E a tecnologia muda tão rapidamente. Isso pode me custar dois anos para aprender a usar a câmera totalmente e então ela já estará desatualizada, mas há coisas boas sobre as digitais também. Isso significa que eu posso clicar completamente pelo som: basta apontar e disparar. É muito espontâneo, como um especialista."

"Se eu tenho algum conselho para os jovens? Eu diria o que Joseph Campbell disse:
 "siga sua felicidade".
Eu acho que se há algo que você realmente ama, que você pensa a respeito a cada minuto do dia, no café da manhã, quando você está dormindo, no meio da noite, 
como as pessoas podem competir com você?”


Pra quiser saber mais sobre sua história, trabalhos etc: http://www.peteeckert.com/photos.php



"É uma honra ter sido convidado e ter uma de minhas fotografias  em um selo postal das Nações Unidas. 
Para mim, eles representam apenas algumas das muitas, muitas pessoas com deficiência em todo o mundo que optaram por fazer algo positivo. Todos nós temos dificuldades. Procure um caminho positivo para tornar o mundo um lugar mais bonito e valer viver a vida... Faça algo de bom."

Para mais informações sobre como adquirir o selo,
por favor clique aqui.



Prêmios

  • Primeiro Lugar, artista quis competição "Exposição", New York, NY, 2008, Juried show. artistas queriam
  • Merit Award, Roseville Arts 30 Anual Abrir Show, Roseville, CA, Juried Show. 2005.
  • Menção Honrosa, a Visão 2003, Santa Fe Centro de Artes Visuais, Santa Fe, NM, 2003.
  • 3º Lugar: "Olha Arte Global," 2003 Internacional Juried Show, Matrix Artes, Sacramento, CA, Outubro de 2003.
  • Prêmio de Outstanding Artist, Insights 2003, San Francisco Arts Commission Galeria da Câmara Municipal, San Francisco, CA. Juried Show, Julho de 2003.
  • 2º Lugar da fita, "Abertura", Matrix Artes, Sacramento, CA. Juried Show, Abril de 2003.
  • Visual Arts Fellowship Award, Sacramento Metropolitan Arts Commission Sacramento, CA, 2002.
  • Primeiro Lugar Black & White, "15 Concurso de Fotografia Anual", Roseville Arts Center, Roseville, CA. Agosto de 2002.
  • Prêmio de Outstanding Artist, Insights 2002, SF Arts Commission Galeria da Câmara Municipal, San Francisco, CA.Juried Show, Julho de 2002.


 
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