sábado, 6 de julho de 2013

Discurso dos 34 anos!

Quando tinha 33 anos, faltando um dia pra acabar esta idade fatídica e cármica, resolvi fazer este discurso!






Discurso dos 34 anos


             Eu prometo sras e srs aqui presentes, que durante este meus 34 anos eu serei mais calma, menos cínica, debochada,sádica, maldosa e sambarei apenas nas festas e não na cara de quem merece.



       Serei rasa, fútil e de fácil compreensão. 
      Não mudarei de opinião com a mesma velocidade que mudo de casa. Aliás terei minha própria casa, meu canto fixo, onde morarei até morrer. 


       Prometo reduzir as quantias de viagens de minha vida e moradias, abandonando de vez meu jeito nômade de ser.   



       Prometo que nesta gestão dos 34 eu irei arrumar muito menos a mala, a mala de ser e de existir!  



            Comprometo-me não me emocionar com fotos, imagens, frases, gestos e quaisquer manifestações alheias de sentimentos.



        Comprometo-me a não tomar as dores e comprar brigas alheias, manterei-me alheia, fria e impassível.    
          

          Apenas discutirei assuntos leves, como a cor do sapato - sem pensar naquela gama infinita de cores que pode ter/ser o azul ou compará-lo a cor do mar, do céu ou aos olhos de alguém.
            Prometo não ser Flicts, deixarei só pra Lua.


               Prometo diminuir consideravelmente - pq mudar de uma hora pra outra é foda - a quantia de questionamentos sobre a vida e a morte, de onde viemos, pra onde iremos, pra que estamos aqui, os entrelaçamentos do Universo, as coincidências e a sincronicidade. 


        Diminuir também meus estudos e percepção, além das premonições, do comportamento humano. 
            Diminuir consideravelmente meu prazer em observar atentamente as pessoa e apenas me ater aquilo que elas querem mostrar.    
          

           Sublimarei completamente olhares, os objetos que elas trazem consigo, seus sorrisos, gestos, modo de se vestir, andar, os gostos, os atos falhos - principalmente!
              Serei mais racional e menos intuitiva. 
       Prometo não entregar minha alma a novos amores, me apaixonar pelos meus projetos fotográficos e dramatizar na hora do desapego.            
            Comprometo-me a lavar e cozinhar mais vezes, sorrir e ser delicada mesmo quando eu estiver puta.


          Tentarei com todas as forças (ai, haja forças) ser menos sincera, verdadeira, fiel e aceitar melhor as mentiras que me contam e a mentir direito.
  

           Ser menos ácida, seca e direta na forma de dizer o que penso, as minhas verdades.        



          Deixar meus cabelos crescerem como uma Eva, ou Maria Madalena, e torná-los castanhos. Joga-los para direita e para a esquerda para conquistar as pessoas, me esconder neles e nunca mais dar a cara a tapa.          
           Não misturar brinco de revólveres com laços no cabelo. Não usar sapatilhas de caveira com vestido estampado de coração. Usar menos cores pretas ou berrantes. Aliás, comprometo-me a rir de forma discreta e com as mãos na boca, e não mais alto jogando meu pescoço pra trás como uma pombo-gira, numa expressão total de felicidade e espontaneidade. Virarei uma mocinha composta.


           Não mandarei tomar no cú, nem amigos nem inimigos e prometo, guardarei mágoa e raiva, sim, quando brigar com alguém, nunca mais conversarei com a pessoa, também não serei uma raposa com quiser me apunhalar pelas costas.         
             Prometo não ser tão contraditória, tão complexa, chata, profunda, confusa, insana, absurda, esquisita.


              Prometo não comer mais uva com tempero.              
              Prometo não comer suspiro e tomar cerveja.             
             Prometo não fazer qualquer tipo de performance (canto, dança) em locais públicos, tais como estações de metrô, estacionamentos e supermercados.            
              Prometo não tentar ver a sorte na borra do café, na palma da mão ou nas cartas.            
               Comprometo-me a ser menos espiritualizada e buscar menos o Eu superior.           
               Prometo não fazer mais cagadas no meu Windows, pintar o cachorro da minha mãe e isolar-me do mundo quando estiver azeda. Prometo ser sempre doce, branda e previsível. Com horário pra levantar, de preferência cedo, ter horários fixos para tudo, e dormir cedo. Dormir bem, não ter pesadelos e acordar sem dores nas costas!
           Prometo também não enlouquecer minha terapeuta e meu psiquiatra, apenas os cachorros e gatos da vizinhança.


     Comprometo-me também a melhorar a qualidade das minhas dancinhas ridiculamente comemorativas e conter meus gritos finos de alegria!


             Parar de ler e querer aprender compulsivamente sobre tudo.             
             Prometo ser menos corajosa, competitiva, impulsiva e forte.       
              Prometo chorar mais em público que em oculto, pra mostrar aos outros que também tenho sentimentos de dor.            
               Comprometo-me a toda vez que não souber de algo, não perguntar o q é isso e fazer a egípcia, como se tivesse entendido.


           Prometo não falar mais palavrão, não ter a boca tão suja e escancarada - já prometi isso aqui? enfim - também aprender as novas regras de ortografia!            
           Prometo que todo equipamento fotográfico que aparecer eu não cobiçarei (ui).        
           Não me sentirei aliviada quando Sebastião Salgado disser que não sabe usar o flash, ou que André Kertesz sentia-se só como uma nuvem. Não me identificar tanto com as poesias de Fernando Pessoa.        
            Não tirar foto de tudo que eu vejo e ver beleza em tudo ou em nada. 
          Ser menos crítica com relação a mim e menos mutável. 



      Prometo ter paciência beneditina com as fofices e meiguices românticas, também com os covardes, estúpidos, burros, maldosos, imbecis e toscos.



        Prometo lembrar de todos os aniversários, dias, datas, números de casa, ruas, telefones e ampliar meu senso de direção.          
         Prometo nunca mais entrar em relacionamentos errados, projetos furados e confiar nas pessoas. Sobretudo, sobremaneira, prometo, certamente, que mais da metade das coisas aqui prometidas, nunca serão cumpridas, jamais; 




         E quem não gostar de mim como eu sou, sinto muito, foda-se. Sempre odiei ser unanimidade.
          Adeus malditos e bem vividos 33 anos.



Um comentário:

 
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